28 de jun. de 2008

Casillero del Diablo Pinot Noir 2007

Comprei no Pão de Açucar, em promoção, por R$27. Achei o preço ótimo e queria muito provar o Pinot Casillero, visto que outros varietais dessa marca são muito bem feitos.


O Senhor Melchor que me desculpe, mas esse vinho...

No copo tem um cor de intensidade boa, levando para o lado de framboesa, bem vivo e brilhante. Reflexos cor de cereja e pernas longas e muito lentas, indicando a presença grande de álcool.

O primeiro aroma estava dominado pelo álcool, mesmo tendo respirado un 30 minutos. Agitando, surgiu um pouco de cereja preta mas principalmente musgo e folhas molhadas, não muito alegre. Veio também madeira, lembrando canela.

Na boca, decepcionante. Acidez pálida, um leve toque amargo e pouca concentração. Muito ontuoso, de novo mostrando o excesso de álcool. Um pouco de sabor de morango, mas deixa a desejar na fruta. O tanino muito fraco, só aparecendo mesmo no fundo da garganta, junto do calor do álcool. Final amargo e curto.

Infelizmente, não ví quase nada de interesse nesse vinho. Não chega a ser ruim de tomar, mas depõe contra a Pinot Noir. A meu ver, deram uma boa errada com a uva: muito açucar e nada de acidez levaram a este resultado.

Não vale os R$27.

O que mais gostei - da cor, ainda no copo.

2000 visitas...

Esses dias, meu blog passou de 2000 visitas. Eu fiquei contente, não é muito mas eu nunca tinha feito um blog que tivesse mais de algumas dezenas de visitas... :)

Grande parte dos visitantes vêm dos blogs parceiros da Confraria Brasileira de Enoblogs. O Vinho para Todos, o Le Vin au Blog, o Colheita de Vinhos entre outros, todos com seus conteúdos excelentes, comentários honestos e escolhas afiadas na hora de degustar. Obrigado, amigos!

Também é legal ver que as pessoas que chegam direto buscam por vinhos que estão por aí, que são acessíveis, que se compram nos supermercados. Parece que as pessoas têm se interessado cada vez mais em tomar vinho no dia a dia, em trazer a bebida para o cotidiano. Acho isso excelente!

Obrigado a todos pelas visitas!

8 de jun. de 2008

Château de Sabazan Côtes de Saint-Mont 2003

Esse vinho eu trouxe na mudança, lembro que ele sobrou da festa de despedida que fizemos antes de voltar. Alguém nos deu de presente.


É um vinho que nunca se encontra por aqui. No geral, poucos vinhos do sudoeste da França são trazidos para o Brazil (se compararmos com regiões como Bordeaux ou Rhône), ainda mais de uma região secundária como essa. Os vinhos do sudoeste são muito tânicos, pouco amigáveis ao nosso paladar. Mas valem a experiência, recomendo o Cahors para quem não conhece.

Côtes de Saint-Mont é, na verdade, um VDQS (vin délimité de qualité supérieure). É uma indicação geográfica típica da França, teóricamente de qualidade inferior à AOC (appelation d'orignine contrôlée). Como AOC se tornou padrão do mercado, VDQS e outras indicação estão entrando em extinção, pois muitos produtores têm buscado o título de AOC para suas regiões.

O que acontece é que regiões de menor expressão nunca foram delimitadas como AOC, mas não significa que produzem vinhos de pior qualidade. É o caso deste Côtes de Saint-Mont, um vinho cheio de personalidade e de características muito específicas.

O Château de Sabazan, produzido na vila de Sabazan, é um corte de 70% Tannat, 10% Pinenc, 15% Cabernet-Sauvignon, 5% Cabernet-Franc. São uvas muito tânicas que se mostram com toda a força no vinho.

No copo tem cor rubi de intensidade média. Lágrimas longas, abundantes e muito lentas. Reflexos um pouco alaranjados.

Nariz bem complexo, madeira, especiarias como canela e ervas como tomilho e louro. Toque vegetal, talvez do Cabernet Sauvignon. Bouquet de intensidade média e pouca fruta, só um toque de amoras e cereja preta.

Na boca o vinho tem muita força, apesar do corpo médio. Taninos muito marcantes (aha!), não chegam a ser agressivos. Boa acidez e álcool presente com retro-olfação novamente de especiarias. O vinho é mais quente no nariz do que na boca, onde tem um final bem fresco, lembrando frutas vermelhas. Limpa a boca e tem persistência longa.

É um tipo de vinho muito diferente e específico. Acompanha carnes vermelhas, pratos muito condimentados ou queijos fortes. Não é muito fácil de tomar. Mostra como é rica a diversidade do vinho francês. É o que mais respeito na França e é o que me faz lembrar da importância de constantemente desafiar nosso paladar. É assim que se aprende!

Latitud 33 Malbec 2006

Esse é o segundo Latitud 33 que comento aqui, o primeiro era um Cabernet Sauvignon que eu não tinha gostado muito.


Comprei esse no Pão de Açucar por módicos R$19,90. É mais ou menos sempre esse o preço desse vinho.

Achei esse Malbec bem melhor do que o Cabernet, sendo uma boa opção nessa faixa de preço.

No copo, um vinho de cor violeta intensa com reflexos púrpura. Muitas lágrimas já acusando o teor alcoólico relativamente alto, o que é recorrente no Latitud 33.

Nariz franco e fiél à uva, muita presença de frutas escuras, especiaria picante, toque de madeira e novamente o álcool aparecendo, mas sem incomodar muito.

Na boca tem corpo estruturado e taninos presentes e redondos. Tem boa fruta e toque adocicado que o torna mais agradável do que alguns outros Malbecs Argentinos. É um vinho bem fácil de ser tomado, simples e correto. Tem um frescor agradável que dá brilho ao conjunto. Novamente, ele peca pelo excesso de álcool, mas neste incomoda muito menos do que no Cabernet.

No geral é um vinho agradável, para ser tomado só ou acompanhando a refeição. Escolha certa para servir aos amigos, num preço mais do que acessível.

Vale os R$19,90.

O que mais gostei - do toque adocicado na boca.

4 de jun. de 2008

Porto Comenda White

Finalmente, com alguns dias de atraso...

Este é o vinho do mês da Confraria Brasileira dos Enoblogs, escolhido pelo Gourmandise, que entrou pra turma este mês. Outros blogs comentando este mesmo vinho podem ser acessados através dos links ao lado, em "eu leio".

É o primeiro Porto que comento aqui e confesso que tenho pouca experiência com este vinho. Sempre tomei vinho do Porto somente como aperitivo, sem dar muita atenção. Mas gostei muito do desafio.

Comprei essa garrafa no Pão de Açucar por R$35, um preço bem razoável.

No copo, é um vinho lindo. Amarelo dourado, cor de palha, com lágrimas que teimam em não correr. Textura lisa, quase aveludada. Parece bobagem, mas o movimento do vinho no copo é diferente, mais suave. Reflexos pálidos. Degustei entre 11 e 12 graus.

O primeiro aroma, muito marcante, é alcoólico, porém perfumado. Manipulando um pouco vem fruta madura, uva, pêssego em calda e flôr branca de aroma adocicado, como dama da noite (mas sem enjoar). É um bouquet franco e simples.

Na boca, o primeiro ataque alcoólico é forte, bem mais do que esperava, mas não chega a agredir pois logo a untuosidade do vinho ocupa toda a língua agradávelmente. Continua ardendo no lado da língua e nas gengivas. Depois do primeiro gole voltei a sentir os aromas do vinho no fundo da boca. Sem acidez.

Gostei bastante da experiência, é um ótimo aperitivo. Chegou a me lembrar uma boa cachaça suave. O Gourmandise fala de uma harmonização interessante, vale a pena ler. Inclusive, vale a pena ler todos os outros comentários, cada um mais rico que o outro. O pessoal está afiado!

Vale os R$35, até por que dura muito.

O que mais gostei - da potência alcoólica

27 de mai. de 2008

Passo Doble Malbec-Corvina 2005

Ouvi falar pela primeira vez deste vinho no rádio, na coluna da Alexandra Corvo. Ela contou como o vinho é feito, passando por dupla fermentação e uvas Corvina, casta originária do Venetto, secas ao sol. Pareceu bem interessante... Depois fui ver que o vinho está sendo bem comentado por aí, e muito apreciado. Merecidamente!


Comprei na Mistral por R$35, um preço muito bom. Uma das melhores garrafas que tomei nos últimos tempos por este preço (e mais caros). Muito diferente dos vinhos que costumo tomar por, ele realmente é um vinho de "personalidade" única.

Já no copo é um vinho bonito, cor grená límpido e brilhante, tendendo para um tom de tijolo. Textura bonita, formação de pernas longas, finas e bem uniformes. Reflexos vivos cor groselha.

O aroma é muito agradável, rico e muito vivo. Frutas maduras mas, diferente dos Malbecs Argentinos, lembra frutas vermelhas mais doces como morango, groselha ou framboesa. Toque leve de madeira, um pouco de frescor e um fundo mais evoluido, lembrando compota e chocolate.

Na boca, é muito equilibrado com corpo estruturado e aveludado. O ataque é elegante e logo preenche a boca com um sabor adocicado mas não doce(...). Acidez presente, muito redonda e saborosa, lembrando as frutas vermelhas. Taninos redondinhos, muito bem integrados ao todo. Retrogosto mais intenso e marcante, mas sempre nesse registro elegante. Ótima persistência.

É um ótimo vinho, vale a pena ser descoberto. Agradou a todos e vai bem só ou acompanhado. Realmente diferente dos Argentinos que conheço.

Vale muito os R$35 e já estou comprando mais!

O que mais gostei - dele na boca, com sua acidez única e elegante.

26 de mai. de 2008

Quara Syrah 2004

Comprei esse vinho pelo Pão de Açucar on-line. Queria provar uns rótulos um pouco mais baratos e que normalmente não encontro no supermercado. Esse custou R$21 e eles não cobram frete.

Infelizmente, achei o vinho muito fraquinho... Meio ruim, mesmo.

No copo, tem uma cor bonita e bem viva, púrpura com relfexos cor de rubi, mas poucas pernas e muito irregulares. Textura bem leve.
O nariz era simples com frutas vermelhas, como cereja, e um toque floral. Um fundo mais adocicado agregou um pouco ao bouquet, que se mostrou fraco.

Na boca, precebe-se o corpo insuficiente já indicado no copo, com uma certa presença inical adocicada. Esse açucar é rapidamente substituido por uma acidez forte e, na minha opinião, rude e desequilibrada.

Costumo gostar de acidez nos vinhos, mas por incrível que pareça, o gosto deste vinho me lebrou muito suco de maracujá (que não é um aroma que acho interessante para um vinho tinto...). Enfim, por conta dessa acidez meio doce é que nem consegui me interessar pelo resto to vinho.

Pode ser que seja uma característica da uva Syrah, que tem mesmo muita acidez, porém neste vinho achei que o resultado foi muito esquisito e nada agradável.

O que mais gostei - ...

Não vale R$21 e não vou comprar de novo, não esse varietal.

Minha nota: 1/5

14 de mai. de 2008

Santa Rita 120 Cabernet Sauvignon 2005

Este vinho está se tornando bem manjando pelos supermercados aqui de São Paulo, inclusive ficando meio carinho. Paguei uns R$28 por essa garrafa, mas costuma custar um pouco mais de R$30.


Já tomei umas 3 garrafas deste vinho e sempre acho muito bom. Estou considerando este como uma escolha certeira nesta faixa de preço, de ótima qualidade e que agrada sempre a todos.

No copo, é um tinto bem profundo, cor purpura já um pouco cor de terra, com reflexos bem escuros cor de cereja. Tem muitas pernas densas, finas e longas com bastante viscosidade.

O bouquet é rico e frutado, com fruta intensa madura e escura como ameixas, cereja preta e até groselha. Tem uma presença marcante de pimentão, terra e madeira.

Ainda no olfato, o vinho evolui para alguns aromas secundários de baunilha, caramelo e couro. Acho que o couro é bem característico deste vinho, pelo menos depois de uns aninhos de garrafa

Na boca, preenche rapidamente toda a língua com corpo muito estruturado. Acidez presente e bem equilibrada com o açucar e taninos bem marcantes mas redondos. Retro-olfação com muita madeira e a acidez da ameixa preta (da casca da ameixa, sabe?).

O final é longo e apresenta especiarias, nozes, tostado. É um vinho rico em aromas e bastante encorpado, bem ao estilo Chileno. Vai super bem com pratos mais temperados, mas também é agradável de ser tomado só.

Vale os R$28.

O que mais gostei - do bouquet, intenso e muito rico.


1 de mai. de 2008

Santa Helena Siglo de Oro Cabernet Sauvignon 2006

Este é o vinho do mês da Confraria Brasileira dos Enoblogs, escolhido pelo Colheita de Vinhos. Outros blogs comentando este mesmo vinho podem ser acessados através dos links ao lado, em "eu leio".

Comprei este pelo site do Pão de Açucar, paguei R$32,00 e não teve frete. Legal!

Fazia bastante tempo que não tomava um Santa Helena. Era um vinho que costumava tomar sempre há alguns anos, aí comecei a me interessar por outros e nunca voltei para ver como estava indo. Este é o "Siglo de Oro", que é uma linha mais premium da vinícola Chilena.

No copo, um bonito tinto muito escuro, límpido, com reflexos cor de rubi. Cor bem intensa, bem de Cabernet Sauvignon. Formação de lágrimas finas e longas, razoavelmente ligeiras.

O bouquet é muito agradável, de frutas maduras escuras, presença vegetal como pimentão verde, pimenta do reino e anis. Um fundinho mais adocicado, como vanila. Bouquet franco, de boa intensidade e bem fiél à uva.

Na boca, primeiro ataque de intensidade média e corpo bem estruturado. Envolve a língua e logo a acidez se destaca no todo. Bem equilibrado, apresenta álcool é açucar corretos e taninos presentes mas muito bem trabalhados e redondos. Me parece ser o tanino da própria uva, não senti muita madeira no vinho.

Retro-olfação intensa de especiarias, um toque de anis e vegetal. Final longo e marcado pela acidez, tornando-o bem fresco para um cabernet e muito agradável. Leve amargor.

No geral, achei um vinho super hamonioso e elegante, porém marcante o suficiente para não sofrer diante de um prato um pouco mais condimentado. Mais elegante do que muitos outros cabernets chilenos que já provei, que pecam pelo excesso. Não é o caso deste.

Acho R$32 um pouquinho caro, mas é um bom vinho. Valeu a pena.

O que mais gostei - dele na boca, equilibrado, fresco e super agradável.

27 de abr. de 2008

Trivento Tribu Pinot Noir 2006

O terceiro Trivento que comento no meu blog. Os outros foram um Trivento Reserve Shiraz Malbec 2005 e o outro um Trivento Shiraz Malbec, sobre o qual fiz apenas um breve comentário.


Comprei esta garrafa justamente quando fui atrás do Reserve, que foi vinho do mês da confraria. Paguei uns R$23, preço que achei bem bom. Adoro Pinot Noir, então resolví testar.

No copo, é um vinho de cor bonita, bastante intensa para um Pinot. Tinto médio para escuro com reflexos cor de cereja. Nenhuma perna, indicando pouco corpo.

O bouquet demorou um pouco para se abrir, incialmente estava quase que só na madeira e pouca fruta. Aos poucos foi revelando um pouco mais de fruta, aromas vegetais e sempre muita madeira.

Na boca, o esperado: pouco corpo e muita madeira. A acidez estava presente, mas não daquele jeito bem fresco e gostoso. Álcool correto, fundo bem marcado pela madeira e algo de frutas vermelhas maduras.

No geral, achei um vinho muito simples, faltando acidez, açucar e corpo. O conjunto meio fraco ficou excessivamente maquiado pela madeira. Não chegou a desagradar, é um vinho simples e fácil de tomar, mas não se destaca.

Não vale os R$ 23, pois acho que existem melhores opções na mesma faixa de preço, como o Alamos.

O que mais gostei - xiii...

31 de mar. de 2008

Cisplatino Tannat & Merlot 2005

Este é o vinho do mês da Confraria Brasileira dos Enoblogs, escolhido pelo Le Vin au Blog. Outros blogs comentando este mesmo vinho podem ser acessados através dos links ao lado, em "eu leio".

Comprei essa garrafa na Mistral, junto com algumas outras que estou ansioso para provar. Custou R$20 e uns quebrados, um preço muito atraente. É o primeiro Uruguaio do meu blog.

Na abertura da garrafa, já deu para sentir que o vinho esbanjaria taninos, pelo aroma na rolha, que é sintética por sinal. Nada contra. No copo, um tinto cor entre rubi e grená muito escuro, com reflexos bem vivos cor de cereja puxando para tijolo. Muitas pernas se formando nas paredes do copo, escorrendo lentamente e tingindo o cristal.

O bouquet tem uma característica principal que eu chamaria de fresco, ou seja, bem seco com certa acidez. É também bastante frutado , lembrando frutas escuras e secas, além de ter um toque picante no nariz. Achei o bouquet razoavelmente simples.

Na boca, o primeiro ataque já mostra a estrutura muito tânica da Tannat, que resseca a língua. Aos poucos, surgem os aromas primários do bouquet, de frutas escuras, no fundo da garganta. Boa acidez, corpo médio e madeira presente, com um pouco de baunilha arredondando o todo. Final médio.

No geral, achei um vinho muito duro, não muito fácil de beber. Deve acompanhar melhor massas ou queijos; no meu caso, com risoto de alcachofras, ficou mais ou menos. Resumindo, não é muito meu estilo.

Não fiquei muito fã, já tive melhores experiências por R$20.

O que mais gostei - parece sacanagem mas não é, o que mais gostei de " la robe", a cor. É bonito mesmo.

30 de mar. de 2008

Terrazas de los Andes Malbec 2006

Comprei este vinho no Extra, se eu me lembro bem estava em uma promoção por uns R$28 e poucos. Esta vinícola também é da Chandon, assim como o Latitud 33. A idéia deles aqui é cultivar cada uva na sua altura "ideal", para deixá-la expressar o máximo de suas características. Vai saber... O fato é que esta vinícola tem uma parceria com o lendário Chateau Cheval Blanc, de Saint Emilion, o que deve querer dizer alguma coisa.

No copo, é um vinho tinto muito profundo, cor púrpura com reflexos cor de framboesa. Bastante viscosidade, formando muitas pernas bem espessas e manchando o copo de violeta.

O bouquet é uma explosão de frutas maduras escuras, bem escuras, com bastante madeira, toques picantes de especiaria, cravo, baunilha e um fundo floral de violeta. Muito intenso mesmo, impressionante. Continuou plenamente vivo dois dias depois de aberto, evoluindo para aromas mais adocidados de compota de frutas, ainda muito agradáveis.

Na boca, é um vinho poderosíssimo, com um ataque muito picante e tânico, porém não chega a ser agressivo ou muito bruto. Concentração excepcional e muito estruturado, textura rica que recobre a língua. Álcool correto, dá para sentir mas não incomoda. A acidez fica um pouco escondida por causa dos taninos.

Retro olfação predominantemente picante, com madeira, ameixas e um fundo mais adocicado, lembrando a compota que surgiu no bouquet. Fim de boca agradável e de muita persistência.

No geral, achei um ótimo Malbec bem típico, impossível de passar despercebido. Pode ser um pouco forte demais para os de paladar mais delicado, mais indicado para quem curte um bom tinto encorpado. Acho que pode envelhecer um pouco, mas falta acidez para garantir que sobreviverá muitos anos.

Vale R$28, acho que vale até um pouco mais.

O que mais gostei - do bouquet, impressionantemente concentrado.

27 de mar. de 2008

Diego de Almagro Valdepeñas

Este é o segundo vinho que ganhei de Natal do meu Pai. O primeiro comentei aqui.

É um vinho espanhol de uma região chamada Valdepeñas, 100% tempranillo. No copo tem cor vermelho rubi escuro com reflexos um pouco alaranjados, cor de tijolo. Bem límpido com poucas pernas bem transparentes e espaçadas. Pouca viscosidade, um cor bonita.

Acatando a ótima sugestão do amigo do Vinho para Todos, fiz uma foto do vinho no copo sobre fundo branco. Tentei neutralizar ao máximo as cores, acho que está representando bem o que o vinho é.

(dá até pra ver o reflexo alaranjado no fundo do copo, não dá?)

Assim que abri a garrafa, senti na rolha um aroma tostado de café. O aroma se confirmou inicialmente no copo, mas depois evoluiu para um bouquet frutado maduro, de frutas muito escuras, com um fundo adocicado. Leve toque de pimenta do reino, madeira, com o tostado ainda presente. Bem no fundo, um aroma vegetal fresco, meio pimentão vermelho.

Na boca o primeiro ataque foi muito macio com boa acidez e toque picante no céu da boca, lembrando o aroma de pimenta. Retro olfação revelou um aroma gostoso de anis muito claro. O vegetal também estava bem presente.

Fiquei contente ao voltar para meus comentários sobre o outro tempranillo que provei - este aqui - e ver que lá também encontrei Anis, frutas escuras, coisas parecidas. Gostei.

Voltando, de resto o vinho tinha poucos taninos, pouco até demais, e corpo médio. Marca mais pela acidez e estrutura picante e vegetal na boca.

No geral é um vinho agradável com sabor fácil de agradar e combinar com diversos pratos do cotidiano. No nosso caso, acompanhou muito bem Pizza de queijos. Para servir fresco.

Ví que estão trazendo uma versão "Crianza"deste mesmo vinho, acho que vou provar. Vinhos Crianza passam ao menos 1 ano em barris de carvalho, então ele deve ganhar mais corpo e taninos, o que deve contribuir.

Não sei bem quanto custou... Mas adorei o presente!

O que mais gostei - dos aromas de café e anis.

Minha nota: 3.5/5

14 de mar. de 2008

Emoção! Krug Brut Grande Cuvée

Muita calma... Muuuuita calma...
Ok, aqui está:
A história é a seguinte: há um mês fui viajar para Amsterdam (trabalho) e passei por Glasgow para visitar minha mãe. Uma feliz coincidência permitiu que eu fosse visitá-la justamente no dia do seu aniversário. Assim, comemoramos com bolinho e... "champagninho". Minha mãe tinha ganhado uma garrafa de Krug, ai tomamos essa maravilha para celebrar!

É certamente um dos vinhos mais célebres que já tomei. Certamente um dos melhores, também. Uma experiência fantástica!

Um bouquet extraordinariamente rico, muito frutado, muita madeira, especiarias, toque picante, fundo adocicado de compota. Na boca, um ataque potente, sedoso e fresco. Muita persistência. A cor, se bem me lembro, amarelo vivo, bolhas muito finas e retas.

Não vou ficar aqui tentando escrever notas muito detalhadas, até porque não fiz uma degustação cuidadosa. E até porque, o vinho está além da minha capacidade de apreciá-lo.

Eu queria mesmo era registrar a emoção - porque foi uma emoção! - de provar esse Champagne.

Fui fuçar nos meu livrinhos, ver o que dizem. Primeira coisa que é preciso saber é que Krug, hoje em dia, pertence à LVMH, o que de maneira alguma interfere no que ele é. Pode ser que reduza um pouco o romantismo, ok...

Krug vinifica as uvas em toneis de carvalho, o que não é muito comum e dá ao vinho toda sua nota de madeira, seu corpo e seus taninos.

Ele é produzido com algo em torno de 20 a 50 Crus, quase todos a 100%, ou Grand Crus. E fica maturando por, no mínimo, 6 anos antes do dégorgement, que é quando a garrafa é aberta para se expelir a levedura e preparada para venda. A lei Francesa exige que o champagne fique maturando por, no mínimo, 8 meses, se me lembro bem. Champagnes como Moët ficam uns 12 a 18 meses. Ou seja, 6 anos é bastante.

Fato importante! Champagne não deve ser guardado por muito tempo. Ele pode ficar envelhecendo nas caves do produtor, antes do dégorgement. Depois de dégorgé, aí deve ser tomado logo. Ou seja, tratem de beber logo aqueles que vocês estavam guardando para a visita do papa!

Eu acho muito legal o universo do Champagne... Recomendo a todo mundo uma viagem por lá. Cada vila, chamada de Cru, fica completamente rodeada de vinhedos. Tem uva plantada até no jardim das casas, para não desperdiçar espaço.

As caves de alguns produtores ficam em túneis escavados por monges beneditinos, até pelos romanos! Fico imaginando uma garrafa, como essa Krug que tomei, esperando 6 anos nas caves para ficar pronta.

Enfim, é demais.

Agora é só esperar pela próxima. Quem sabe uma S de Salon... ;)

Minha nota? oras... 5/5

1 de mar. de 2008

Alamos Pinot Noir 2007

Este é o vinho do mês da Confraria Brasileira dos Enoblogs. Outros blogs comentando este mesmo vinho podem ser acessados através dos links ao lado.


Este vinho foi escolha minha, para ser o vinho do mês da confraria. Eu gosto muito de Pinot Noir, então procurei uma garrafa que tivesse um preço acessível no mercado brasileiro. Paguei R$26,37 no site da Mistral, mais o frete.

Como disse, adoro Pinot Noir, mas ao mesmo tempo acho que esta é a uva mais propensa a causar graaandes decepções. Mas resolvi arriscar.

Estou contente de dizer que este não me decepcionou.

No copo é um vinho claro, tinto cor grená com reflexos vermelhos muito vivos. Longas pernas e muito finas, correndo rapidamente pelo copo. Um vinho muito bonito.

O bouquet estava, inicialmente, um pouco carregado com aromas vínicos, que logo foram embora, deixando aroma de madeira, frutas vermelhas e um floral muito agradável. Também detectei um pouco de terra ou algo assim, mas no geral o vinho tem um bouquet que me agradou, muito delicado e aberto.

Na boca, a acidez toma conta desde o primeiro contato com a língua, porém não chega a ser agressiva. Na verdade, aos poucos ela vai dando lugar a um sabor levemente adocicado e à textura sedosa e agradável. Tem pouco corpo, como era de se esperar. Os taninos são muito suaves, a retro olfação revela toques de algo como especiarias, cravo, sei lá.

O final é agradável e suavemente adocicado. Deixa a boca limpa e fresca, pronta para outra. Degustei a 18 graus, o que colabora muito para o todo.

Reconheço que pode não ser um vinho muito fácil de agradar, pois tem muita acidez, pouco corpo e pouca concentração. Enfim, mesmo sendo "novo mundo", é um Pinot Noir...

Eu gostei muito, achei o vinho muito bem estruturado, agradável e completo. Talvez possa se beneficiar de uns 2 anos de garrafa, pois tem acidez para isso, e pode desenvolver alguns aromas mais complexos.

Vale os R$26,37.

O que mais gostei - acho que do conjunto.

3 de fev. de 2008

San Huberto Bonarda 2006


Esse é o segundo Bonarda argentino que comento aqui, o primeiro foi um Dom Domenico que gostei muito. Esta foi uma das 3 garrafas que ganhei de Natal do meu pai. Adorei o presente! Ele comprou 3 vinhos bem diferentes entre eles, foi uma idéia legal. Este é o primeiro deles.

No copo é um tinto vivo, escuro, um pouco purpura e bem límpido, com reflexos cor de cereja. Muitas lágrimas, finas e longas, não muito lentas. Menção especial à garrafa - de testura fosca - e ao rótulo, muito bonitos.

O aroma predominante é de fruta escura - ameixa - com madeira bem presente e um fundo vegetal, que agrega um pouco de complexidade ao buquet franco e razoavelmente simples. Agradável.

Na boca, tem corpo médio e álcool um pouco excessivo, chegando a incomodar. A acidez é média e os taninos meio amargos, acredito que vindos da própria uva.

Vendo minhas anotações sobre o Dom Domenico, vejo que o álcool e a acidez acentuados são características presentes nos dois vinhos. No caso deste, fica faltando algo para equilibrar o amargo do tanino e o álcool - falta a fruta - deixando este um vinho menos palatável e meio rude.

Preciso dizer que ele evoluiu bem depois de aberto, mas não chegou a perder o amargo do tanino. Acho que acompanha bem um prato de sabor intenso; sozinho não é tão fácil de agradar.

Eu acho que custa uns R$15,00, então não está mal pelo preço.

O que mais gostei - do aroma vegetal, acho legal encontrar isso em um vinho.

31 de dez. de 2007

Cabriz Colheita Seleccionada Dão 2005



* Este post refere-se ao vinho do mês da Confraria Brasileira de Enoblogs. Fizeram também esta mesma degustação o Colheita de Vinhos, Le Vin au Blog, Vinho para Todos e Di vinho Viver.

Comprei este vinho no Pão de Açucar por R$21,90. Achei o preço excelente, mas era uma promoção. Não sei qual seria o preço normal.

Trata-se de um Dão produzido pela Dão Sul, que é uma das maiores produtoras de vinhos de Portugal. Pelo que andei lendo, a região do Dão tem buscado se reinventar, após anos produzindo vinhos sem muita personalidade.

No Dão, plantam-se deversas castas, sendo a Touriga Nacional a mais famosa e provavelmente a melhor delas. Este vinho é um corte de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Alfrocheiro.

Confesso que não tinha grandes espectativas, mas fui agradavelmente surpreendido. No copo, é um vinho muito bonito, rubi escuro com reflexos cor de cereja. Poucas lágrimas, mas muito lentas.

É um vinho muito aberto, com bouquet franco e agradável. Aromas ricos de frutas escuras maduras, como ameixa e cereja, formaram a primeira impressão, seguidos de madeira suave e especiarias como cravo e pimenta preta. Tem um fundo um pouco mais adocicado, talvez de baunilha, e algo floral, que deve vir da touriga nacional. Fora tudo isso, tinha alguma outra coisa que não consegui identificar...

Na boca, é um vinho macio e de corpo médio. A acidez é muito presente e agradável, lembrando frutas frescas. Os taninos, bem controlados, enriquecem o paladar com um toque apimentado no céu da boca. Este toque picante persiste na língua, juntamente com a acidez que deixa a boca limpa, pronta para outra!

No geral, achei que é um vinho muito agradável, refrescante se servido mais frio (provamos a 18 graus), harmônico e com aromas muito ricos. Foi uma ótima pedida para estas noites de verão, acredito que acompanhe bem pratos mais leves e até peixes, graças à acidez.

Vale muito os R$21,90, pagaria até mais.

O que mais gostei - do conjunto :)

Minha nota: 4/5

2 de dez. de 2007

Ainda sobre o Trivento Reserve - drops

Provei o vinho hoje, de novo, e achei que ele perdeu muito daquele tanino agressivo que senti ontem.

Talvez precisasse respirar ainda mais, mesmo tendo aberto uma hora antes de provar.

Mas mesmo assim, acho que continua sendo um vinho modesto, meio sem vida... Ainda seca a boca e manteve um gosto amargo no final, que não me agrada muito.

Bom, é a minha opinião...

1 de dez. de 2007

Trivento Reserve Shiraz-Malbec 2005


* Este post refere-se ao vinho do mês da Confraria Brasileira de Enoblogs. Fizeram também esta mesma degustação o Colheita de Vinhos, Le Vin au Blog e Vinho para Todos.


Fui atrás deste vinho, para participar da degustação, e encontrei na Expand do Shopping Vila Lobos, em São Paulo. Custou R$30,94.

No copo, é um tinto escuro, um pouco sombrio, cor de framboesa olhando na luz. Os reflexos são rosados, de vinho ainda jovem. Lágrimas muito longas, lentas e espaçadas.

O aroma, de início, é vegetal, fresco, mas que é imediatamente cortado por algo tostado, mais quente e redondo. Tem algumas notas de temperos, como cerefolio, e a madeira fazendo o "fundo". No geral, não achamos que tenha uma bouquet especialmente marcante. É redondo.

Já na boca é outra história. O primeiro ataque surpreende pela força dos taninos, realmente agressivos na língua. Deixa a boca seca e faz salivar, além de ter um final meio amargo, acredito que vindo do tanino também.

O segundo gole é mais suave, deu pra perceber melhor a estrutura do vinho. Tem pouquíssima fruta, acidez também moderada, parece que ambas ficam escondidas pelos taninos. Apesar da viscosidade no copo, não tem muito corpo e a persistência é puramente do tanino.

Enfim... No geral, não agradou muito. Apesar de gostar de vinho com taninos firmes, este está muito bruto, amargando a língua, e falta brilho e vida, que viriam de mais acidez e mais fruta. É um vinho para se servir com carnes com molhos bem escuro, pratos de sabor forte. Nós provamos o vinho sozinho.

Não acho que vale os R$30,00

O que mais gostei - não sei... Acho que o aroma meio torrado, meio de ervas.

Minha nota: 2/5

26 de nov. de 2007

Alamos Malbec - Drops 2

Segundo Drops de hoje:

Alamos, vinhaço! Compre, prove, aprecie, vale a pena. (olha ele aqui: http://www.mistral.com.br/product.aspx?idDept=0&idProduct=15755)

Tomei ontem à noite em um jantar de família. Não deu pra degustar com calma, mas de cara o vinho surpreendeu.

Muito corpo, taninos firmes, bouquet aberto e fresco.

Vou comprar e provar com calma, certamente.

Trivento Shiraz/Malbec - Drops 1

Dois drops hoje! Primeiro:

Esse Trivento, que custa barato (R$13,90) e encontra-se facilmente em qualquer supermercado, acabou por decepcionar um pouco...

Muito açucar, pouca acidez, aroma sem graça de compota de fruta. Enfim, não valeu a pena.

Agora, por esse preço, costumo encontrar o Concha y Toro Travessia (talvez uns dois ou três reais mais caro), que acho bem melhor.

15 de nov. de 2007

Miolo Terranova Shiraz 2006

Faz tempo que não posto nada... Estive viajando um pouco, bebendo mais cerveja do que vinho...


Mas enfim, vamos falar do Terranova da Miolo. Não o reserve, que eu não acho para comprar, mas o normalzinho mesmo.

Este Shiraz é produzido nos vinhedos do Vale do São Francisco da Miolo, ou seja, mais um deste vinhos "modernos" que andam fazendo por lá. Eu provei e comentei o Rio Sol do vale do São Francisco. Não achei mal, não.

Aliás, achei melhor que esse...

No copo é um vinho muito bonito, de um tinto muito vivo, cor grená, com reflexos púrpura e não muitas lágrimas. Seu teor alcólico é 12,5%, não muito alto.

É um vinho com um bouquet muito agradável e vivo. Já havia aberto a garrafa no dia anterior, então o vinho estava bem aberto. Aromas típicos de shiraz, profundos, com toque picante de pimenta do reino e frutas escuras como amora ou groselha preta. A madeira também vem bem presente no olfato. Muito gostoso.

Na boca é que ele ficou devendo. Primeiro ataque suave, adocidado, revelou-se um vinho de pouco corpo. Logo depois vem uma acidez, na minha opinião, exagerada e taninos muito brutos. O picante do aroma aparece claramente na boca e na retro-olfação, o que até agrega algo mais ao vinho.

No geral, falta corpo, falta açucar e falta arredondar os taninos, que estavam muito "asperos". O vinho fica muito em cima da acidez e do picante, mas não muito equilibrados.

Paguei R$18,90, mas não vale.

O que mais gostei - do bouquet, certamente. Shiraz é muito boa de aromas, dá pra viajar. Aliás, assim como o Rio Sol, é um vinho muito melhor de nariz do que de boca. Acho que ainda precisam fazer mais lição de casa no Vale do São Francisco.

23 de out. de 2007

Latitud 33º Cabernet Sauvignon 2005

Comprei este vinho em uma promoção do Carrefour, pois uma garrafa que tenho visto saindo por volta de R$28 por aí, comprei por R$19,90.

Esta linha Latitud 33º é produzida pela Bodegas Chandon, filial da LVMH na Argentina. A historinha é que, na latitude 33, são produzidos os grandes vinhos do novo mundo, passando pela Australia, Nova Zelândia e África do Sul. Na Argentina, de onde vem este, o paralelo passa por Mendoza.
O engraçado é que, ao norte, os vinhos são produzidos em latitudes muito mais elevadas. O sul da França, por exemplo, fica a 43 graus. Enfim...

Enfim!, este exemplar era de uma cor rubi intensa, muito bonita. Os reflexos puxando para o alaranjado e lágrimas muito longas e lentas, indicando já o teor alcólica elevado, de 13,6%. Realmente bastante.

Uma curiosidade sobre este vinho é que, ao abri-lo, encontramos pequenos cristais em suspensão no líquido. Consultando minha vasta ignorância, acho que eram cristais de ácido tartárico, que logo se dissolveram. Se alguém souber o que pode ser, agradeço a informação.

O nariz é bem marcado pelo álcool, aquele cheiro "vínico", mas em segundo plano pude sentir um aroma lembrando floresta, casca de árvore, mato molhado. Depois de tudo isso, fazendo uma força danada, identifiquei frutas como pêra ou maça e um aroma adocicado de vanila.

Na boca, o primeiro ataque foi muito macio e prazeroso, preenchendo e envolvendo toda a língua. A acidez, bem agradável, lembrou frutas escuras maduras como ameixa e cerejas pretas. Após essa primeira impressão, o álcool volta a dar as caras e incomodou um pouco. Fazendo a retro-olfação, o álcool chegava a fazer arder a garganta, mostrando claramente um desequilíbrio neste ponto.

O final revelou taninos muito suaves, na lateral da língua. Surpreendente para um Cabernet Sauvingon, que normalmente tem taninos marcantes, até agressivos dependendo do caso.

Um vinho de duas caras, ou melhor, nariz e boca que não se entendem bem. Gostoso, mas com certos defeitos, para o meu gosto.

Eu não pagaria mais de R$20... Não sei se compraria outro, na verdade.

O que mais gostei - do ataque na boca, muito macio, seguido da acidez super agradável de frutas maduras.

21 de out. de 2007

Finca Don Domenico de Huanacache Bonarda 2003


A dica para este vinho veio deste post no blog Vinho para Todos.

Trata-se de um vinho Argentino varietal feito com a uva Bonarda. Apesar de não ser um varietal facilmente encontrado no Brasil, a Bonarda é uma das castas mais cultivadas na Argentina.

O que acontece é que, até pouco tempo atrás, era usada somente em vinhos de mesa mais simples e não dava bons varietais. Recentemente, começaram a investir em vinhos de melhor qualidade com esta uva.

Paguei uns R$27 por esta garrafa no Carrefour. (acabei não fotografando a garrafa, então vai aí etiqueta que encontrei no site do produtor, mesmo sendo de um syrah...)

Este vinho é um tinto muito profundo, com reflexos cor de cereja já um pouco alaranjados, denotando a idade da garrafa, e longas e lentas lágrimas.

O nariz muito complexo mesclando frutas escuras como ameixa preta, um aroma adocicado de compota de frutas, terra e folhas umidas. Este últimos, apesar de menos frescos, acrescentaram ao todo e não incomodaram.

Na boca apresentou bom corpo com um primeiro ataque bem ácido e muito marcante. Os taninos, muito presente mas agradáveis - para o meu gosto - não chegam a superar a acidez, que é o elemento predominante no paladar.

O álcool também é muito presente, esquentando um pouco o pálato. A retro-olfação revelou o aroma da uva com ameixas vermelhas. Os aromas mais sutis de terra foram envolvidos pela intensidade do vinho e não apareceram mais.

No geral, é um vinho muito intenso e com grande acidez, o que o torna um vinho surpreendente e diferente de muito do que se encontra, principalmente nos Chilenos. Acredito que se harmonizaria muito bem com pratos bem gordos, queijos derretidos, um fondue...

Sozinho, achei um pouco ácido de mais, mas muito saboroso.

Vale os R$27

O que mais gostei - do bouquet, complexo, mostrando a evolução do vinho nestes 4 anos.

Minha nota: 4/5

Sobre o jantar harmonizado

Fiquei muito feliz com o convite dos colegas do blog Le Vin au Blog para realizar um jantar harmonizando um vinho espanhol com uma receita proposta pelo pessoal de outro blog, o Gourmandise.

Aceitei a proposta, encomendei o vinho, mas ainda não pude realizar o jantar.

Mas não abandonei a idéia!