17 de ago de 2008

Bourgogne Chitry Bailly-Lapierre 2004

Esse vinho nós compramos direto do produtor! É uma cave que fica numa cidade chamada Saint-Bris-le-Vineux (a cidade tem vinho até no nome), no norte da Borgonha, próxima à cidade de Auxerre e Chablis também.

A cave de Bailly-Lapierre é um local muito bonito de se visitar pois fica em uma série de galerias escavadas na pedra calcária, onde produzem e armazenam diveras apelações da região da Borgonha.

Chitry é uma apelação recente, definida em 1993, que faz limite com a muito mais famosa Chablis. Chitry pode ser tinto e rosé, de pinot noir, ou branco, de Chardonnay, embora nesta cave só produzam o branco. Este, portanto, é um branco 100% Chardonnay.

O vinho no copo tem uma cor amarelo-ouro pálido muito bonita, com reflexos puxando para o cinza. Sem muitas pernas, porém de textura fina e uniforme.

No nariz, aroma inicial de pêssego branco muito agradável, acompanhado de um toque de tempero mais quente, como talvez cerefolio ou estragão. Também presente um aroma delicado de flor branca e um fundo mineral, bem típico.

Na boca, uma surpresa boa. Um vinho com bom corpo e acidez marcante, muito viva mesmo com 4 anos de garrafa. Os aromas de pêssego e o toque mineral se tornam evidentes na boca, que também revela um fundo de fruta cítrica como limão, do amarelo. Sempre me surpreende a diferença dos Chardonnay da Borgonha com os do novo mundo, que muitas vezes tendem a ser vinhos pesados, com muita madeira e fruta madura demais. Aqui, a história é outra.

O vinho é maturado "sur lies fine", ou seja, deixando-se no tanque os resíduos da primeira fermentação. Isso agrega corpo e ontuosidade ao vinho, o que deu pra detectar claramente. Depois desses anos de garrafa, o vinho já começou a adquirir uma certa textura amanteigada, sem perder nada da vivacidade.

Uma delícia de vinho para acompanhar frutos do mar, crustáceos e qualquer outro prato que peça uma boa acidez. No dia em que abrimos a garrafa, ele acompanhou uma linda salada de rúcula, camembert derretido com mel e salmão defumado. Delicía!

Vale a pena provar. Tem todo o jeito de um Chablis, mas com preço bem mais acessível (mas é difícl achar por aqui...).

O que mais gostei - do bouquet, sem dúvida, e da acidez na boca.

Minha nota: 5/5

11 de ago de 2008

Pizzato Concentus 2002

Acabei comprando este vinho atrasado, mas antes tarde do que nunca, não é?


Este é o vinho do mês da Confraria Brasileira dos Enoblogs, escolhido pelo Diário de Baco. Outros blogs comentando este mesmo vinho podem ser acessados através dos links ao lado, em "eu leio".

Comprei este vinho na Biesky de Moema, pois não foi muito fácil de encontrar. Paguei R$42,00, acho caro. O vinho escolhido pelo Diário de Baco era o da safra 2004, mas só encontrei o 2002. Resolví provar do mesmo jeito, meio que com o pé atrás.

No copo, um vinho de cor intensa púrpura escura já com reflexos cor de tijolo bem aparentes, acusando a idade. Pouca pernas e bem irregulares.

No nariz, pouquissimo frescor e pouca fruta também. Na verdade, os aromas estavam apagados, sobressaindo somente um pouco de madeira, puxando para tabaco, e um aroma geral de folhas secas molhadas (hã?). Deixando respirar muito veio um toque de ameixa escura, mas estilo compota, não de fruta fresca.

Na boca, somente um pouco de taninos já suaves, quase nada de acidez e pouco corpo. Um vinho que obviamente passou de seu tempo. Não sei se mas jovem teria sido tudo isso, sei que não aguentou esses 6 anos.

Não vale a pena, já passou do tempo.

O que mais gostei - gostei de ver os reflexos cor de tijolo, mas só como curiosidade...

Minha nota: 2/5 (é difícil julgar o que o vinho já foi... estou julgando pelo que provei agora)