31 de mar de 2008

Cisplatino Tannat & Merlot 2005

Este é o vinho do mês da Confraria Brasileira dos Enoblogs, escolhido pelo Le Vin au Blog. Outros blogs comentando este mesmo vinho podem ser acessados através dos links ao lado, em "eu leio".

Comprei essa garrafa na Mistral, junto com algumas outras que estou ansioso para provar. Custou R$20 e uns quebrados, um preço muito atraente. É o primeiro Uruguaio do meu blog.

Na abertura da garrafa, já deu para sentir que o vinho esbanjaria taninos, pelo aroma na rolha, que é sintética por sinal. Nada contra. No copo, um tinto cor entre rubi e grená muito escuro, com reflexos bem vivos cor de cereja puxando para tijolo. Muitas pernas se formando nas paredes do copo, escorrendo lentamente e tingindo o cristal.

O bouquet tem uma característica principal que eu chamaria de fresco, ou seja, bem seco com certa acidez. É também bastante frutado , lembrando frutas escuras e secas, além de ter um toque picante no nariz. Achei o bouquet razoavelmente simples.

Na boca, o primeiro ataque já mostra a estrutura muito tânica da Tannat, que resseca a língua. Aos poucos, surgem os aromas primários do bouquet, de frutas escuras, no fundo da garganta. Boa acidez, corpo médio e madeira presente, com um pouco de baunilha arredondando o todo. Final médio.

No geral, achei um vinho muito duro, não muito fácil de beber. Deve acompanhar melhor massas ou queijos; no meu caso, com risoto de alcachofras, ficou mais ou menos. Resumindo, não é muito meu estilo.

Não fiquei muito fã, já tive melhores experiências por R$20.

O que mais gostei - parece sacanagem mas não é, o que mais gostei de " la robe", a cor. É bonito mesmo.

30 de mar de 2008

Terrazas de los Andes Malbec 2006

Comprei este vinho no Extra, se eu me lembro bem estava em uma promoção por uns R$28 e poucos. Esta vinícola também é da Chandon, assim como o Latitud 33. A idéia deles aqui é cultivar cada uva na sua altura "ideal", para deixá-la expressar o máximo de suas características. Vai saber... O fato é que esta vinícola tem uma parceria com o lendário Chateau Cheval Blanc, de Saint Emilion, o que deve querer dizer alguma coisa.

No copo, é um vinho tinto muito profundo, cor púrpura com reflexos cor de framboesa. Bastante viscosidade, formando muitas pernas bem espessas e manchando o copo de violeta.

O bouquet é uma explosão de frutas maduras escuras, bem escuras, com bastante madeira, toques picantes de especiaria, cravo, baunilha e um fundo floral de violeta. Muito intenso mesmo, impressionante. Continuou plenamente vivo dois dias depois de aberto, evoluindo para aromas mais adocidados de compota de frutas, ainda muito agradáveis.

Na boca, é um vinho poderosíssimo, com um ataque muito picante e tânico, porém não chega a ser agressivo ou muito bruto. Concentração excepcional e muito estruturado, textura rica que recobre a língua. Álcool correto, dá para sentir mas não incomoda. A acidez fica um pouco escondida por causa dos taninos.

Retro olfação predominantemente picante, com madeira, ameixas e um fundo mais adocicado, lembrando a compota que surgiu no bouquet. Fim de boca agradável e de muita persistência.

No geral, achei um ótimo Malbec bem típico, impossível de passar despercebido. Pode ser um pouco forte demais para os de paladar mais delicado, mais indicado para quem curte um bom tinto encorpado. Acho que pode envelhecer um pouco, mas falta acidez para garantir que sobreviverá muitos anos.

Vale R$28, acho que vale até um pouco mais.

O que mais gostei - do bouquet, impressionantemente concentrado.

27 de mar de 2008

Diego de Almagro Valdepeñas

Este é o segundo vinho que ganhei de Natal do meu Pai. O primeiro comentei aqui.

É um vinho espanhol de uma região chamada Valdepeñas, 100% tempranillo. No copo tem cor vermelho rubi escuro com reflexos um pouco alaranjados, cor de tijolo. Bem límpido com poucas pernas bem transparentes e espaçadas. Pouca viscosidade, um cor bonita.

Acatando a ótima sugestão do amigo do Vinho para Todos, fiz uma foto do vinho no copo sobre fundo branco. Tentei neutralizar ao máximo as cores, acho que está representando bem o que o vinho é.

(dá até pra ver o reflexo alaranjado no fundo do copo, não dá?)

Assim que abri a garrafa, senti na rolha um aroma tostado de café. O aroma se confirmou inicialmente no copo, mas depois evoluiu para um bouquet frutado maduro, de frutas muito escuras, com um fundo adocicado. Leve toque de pimenta do reino, madeira, com o tostado ainda presente. Bem no fundo, um aroma vegetal fresco, meio pimentão vermelho.

Na boca o primeiro ataque foi muito macio com boa acidez e toque picante no céu da boca, lembrando o aroma de pimenta. Retro olfação revelou um aroma gostoso de anis muito claro. O vegetal também estava bem presente.

Fiquei contente ao voltar para meus comentários sobre o outro tempranillo que provei - este aqui - e ver que lá também encontrei Anis, frutas escuras, coisas parecidas. Gostei.

Voltando, de resto o vinho tinha poucos taninos, pouco até demais, e corpo médio. Marca mais pela acidez e estrutura picante e vegetal na boca.

No geral é um vinho agradável com sabor fácil de agradar e combinar com diversos pratos do cotidiano. No nosso caso, acompanhou muito bem Pizza de queijos. Para servir fresco.

Ví que estão trazendo uma versão "Crianza"deste mesmo vinho, acho que vou provar. Vinhos Crianza passam ao menos 1 ano em barris de carvalho, então ele deve ganhar mais corpo e taninos, o que deve contribuir.

Não sei bem quanto custou... Mas adorei o presente!

O que mais gostei - dos aromas de café e anis.

Minha nota: 3.5/5

14 de mar de 2008

Emoção! Krug Brut Grande Cuvée

Muita calma... Muuuuita calma...
Ok, aqui está:
A história é a seguinte: há um mês fui viajar para Amsterdam (trabalho) e passei por Glasgow para visitar minha mãe. Uma feliz coincidência permitiu que eu fosse visitá-la justamente no dia do seu aniversário. Assim, comemoramos com bolinho e... "champagninho". Minha mãe tinha ganhado uma garrafa de Krug, ai tomamos essa maravilha para celebrar!

É certamente um dos vinhos mais célebres que já tomei. Certamente um dos melhores, também. Uma experiência fantástica!

Um bouquet extraordinariamente rico, muito frutado, muita madeira, especiarias, toque picante, fundo adocicado de compota. Na boca, um ataque potente, sedoso e fresco. Muita persistência. A cor, se bem me lembro, amarelo vivo, bolhas muito finas e retas.

Não vou ficar aqui tentando escrever notas muito detalhadas, até porque não fiz uma degustação cuidadosa. E até porque, o vinho está além da minha capacidade de apreciá-lo.

Eu queria mesmo era registrar a emoção - porque foi uma emoção! - de provar esse Champagne.

Fui fuçar nos meu livrinhos, ver o que dizem. Primeira coisa que é preciso saber é que Krug, hoje em dia, pertence à LVMH, o que de maneira alguma interfere no que ele é. Pode ser que reduza um pouco o romantismo, ok...

Krug vinifica as uvas em toneis de carvalho, o que não é muito comum e dá ao vinho toda sua nota de madeira, seu corpo e seus taninos.

Ele é produzido com algo em torno de 20 a 50 Crus, quase todos a 100%, ou Grand Crus. E fica maturando por, no mínimo, 6 anos antes do dégorgement, que é quando a garrafa é aberta para se expelir a levedura e preparada para venda. A lei Francesa exige que o champagne fique maturando por, no mínimo, 8 meses, se me lembro bem. Champagnes como Moët ficam uns 12 a 18 meses. Ou seja, 6 anos é bastante.

Fato importante! Champagne não deve ser guardado por muito tempo. Ele pode ficar envelhecendo nas caves do produtor, antes do dégorgement. Depois de dégorgé, aí deve ser tomado logo. Ou seja, tratem de beber logo aqueles que vocês estavam guardando para a visita do papa!

Eu acho muito legal o universo do Champagne... Recomendo a todo mundo uma viagem por lá. Cada vila, chamada de Cru, fica completamente rodeada de vinhedos. Tem uva plantada até no jardim das casas, para não desperdiçar espaço.

As caves de alguns produtores ficam em túneis escavados por monges beneditinos, até pelos romanos! Fico imaginando uma garrafa, como essa Krug que tomei, esperando 6 anos nas caves para ficar pronta.

Enfim, é demais.

Agora é só esperar pela próxima. Quem sabe uma S de Salon... ;)

Minha nota? oras... 5/5

1 de mar de 2008

Alamos Pinot Noir 2007

Este é o vinho do mês da Confraria Brasileira dos Enoblogs. Outros blogs comentando este mesmo vinho podem ser acessados através dos links ao lado.


Este vinho foi escolha minha, para ser o vinho do mês da confraria. Eu gosto muito de Pinot Noir, então procurei uma garrafa que tivesse um preço acessível no mercado brasileiro. Paguei R$26,37 no site da Mistral, mais o frete.

Como disse, adoro Pinot Noir, mas ao mesmo tempo acho que esta é a uva mais propensa a causar graaandes decepções. Mas resolvi arriscar.

Estou contente de dizer que este não me decepcionou.

No copo é um vinho claro, tinto cor grená com reflexos vermelhos muito vivos. Longas pernas e muito finas, correndo rapidamente pelo copo. Um vinho muito bonito.

O bouquet estava, inicialmente, um pouco carregado com aromas vínicos, que logo foram embora, deixando aroma de madeira, frutas vermelhas e um floral muito agradável. Também detectei um pouco de terra ou algo assim, mas no geral o vinho tem um bouquet que me agradou, muito delicado e aberto.

Na boca, a acidez toma conta desde o primeiro contato com a língua, porém não chega a ser agressiva. Na verdade, aos poucos ela vai dando lugar a um sabor levemente adocicado e à textura sedosa e agradável. Tem pouco corpo, como era de se esperar. Os taninos são muito suaves, a retro olfação revela toques de algo como especiarias, cravo, sei lá.

O final é agradável e suavemente adocicado. Deixa a boca limpa e fresca, pronta para outra. Degustei a 18 graus, o que colabora muito para o todo.

Reconheço que pode não ser um vinho muito fácil de agradar, pois tem muita acidez, pouco corpo e pouca concentração. Enfim, mesmo sendo "novo mundo", é um Pinot Noir...

Eu gostei muito, achei o vinho muito bem estruturado, agradável e completo. Talvez possa se beneficiar de uns 2 anos de garrafa, pois tem acidez para isso, e pode desenvolver alguns aromas mais complexos.

Vale os R$26,37.

O que mais gostei - acho que do conjunto.